30 de setembro de 2015

Sobre séries: Reflexões sobre Grace and Frankie


Depois de algumas recomendações que ouvi sobre a série Grace and Frankie, eu resolvi assistir para conferir.
O elenco já é do tipo que me chama atenção, pois conta com  Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen e Sam Waterston (que eu conhecia pouco, por causa de alguns Lei&Ordem).



Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin) estão encarando a temida "3ª idade", mas não da forma que imaginavam. Quando os seus respectivos maridos revelam que estão apaixonados um pelo outro, e planejam se casar, a vida delas é virada de cabeça para baixo. Agora, elas estão ligadas eternamente por esse acontecimento e, já rivais, descobrirão que podem ter que tomar conta uma da outra. 





Eu comecei achando que era uma série de comédia, mas daí vem a bela surpresa - é uma série sobre pessoas.
Daí você me fala: "Ah, mas as séries são sobre pessoas, sua maluca!". Sim, é verdade, mas nessa série eu encontrei um toque especial - e você fica livre para discordar ou acrescentar.
Vemos pessoas na casa dos 70 anos, que viveram uma vida tranquila, normal. E agora, nessa fase em que esperavam a calmaria e os encerramentos - a colheita dos frutos plantados depois de uma vida de trabalho, dedicação e tantas coisas mais... Agora, e justamente agora eles enfrentam aquele ponto de virada, a mudança que irá jogar tudo para o alto e podem recomeçar, uns por escolha, outros por necessidade.

Eu costumo esbarra com essa premissa em séries que são compostas por personagens mais jovens, geralmente vejo persongens dessa faixa de idade como avós ou personagens secundários e nessa produção eles são os principais, a liga entre os pontos soltos de filhos e família. Mas isso pode ser só uma questão minha, meu referencial.

Sinceramente eu não imaginei que fosse gostar tanto, pelo menos não ao ponto de assistir todos os episódios em uma única vez. Eu achei que seria uma boa começar a assistir para preencher os vazios das noites enquanto as séries que assisto estão em pausa, ou enquanto eu espero o marido pra assistir nossas séries de dupla. Mas eu fiquei tão imersa naquela história, naqueles personagens, que não consegui parar até terminar a primeira temporada. E é tão bem pensada, tão bem escrita, os atores constroem um carisma tão rapidamente que não é surpresa alguma você se apegar. Eu me peguei falando com a tv, comentando as ações de alguns, respondendo  outros, quase chorando por algumas vezes.
É tão interessante ver como um grande baque pode mostrar que algo já estava fora do contexto, de como um choque pode aproximar pessoas tão diferentes, ou afastar aqueles que a primeira vista pareciam tão unidos. E eu me peguei perguntando a mim mesma, o que é amizade. Ela pode surgir daqueles bons momentos e da alegria, mas ela pode vir daquele momento de dor, de quem menos esperamos.

Como disse, é uma série que tem o foco em pessoas - casais, filhos,  famílias, amizades, pessoas que somos obrigados a conviver, medos, preconceitos, redescoberta, confiança, solidão, liberdade, superação... Assim como no luto, vemos as fases pelas quais passam os personagens pelo término de suas relações, e mesmo pelo início de novas interações, como a negação, raiva, negociação, depressão, aceitação e também a culpa. Vi a definição de gênero dela como comédia em alguns sites, mas eu vejo a comédia como alívio para o quão pesado é o tema.

Além de ver as duas se recompondo, os questionamentos e os enfrentamentos com seus respectivos ex-maridos sobre os anos que estiveram casados, sobre os sentimentos deles e se tudo pelo que passaram era real, se houve amor. Gente, tem uma resposta da Grace sobre isso logo no primeiro episódio que me fez parar pra pensar sobre o que a gente é ensinado a esperar da vida. Ou quando Frankie explica que não perdeu só o marido, mas seu melhor amigo...
Cheguei até a pausar um episódio em que Brianna (filha de Grace e Robert) questiona a passividade de todos em relação a notícia em um jantar, e ela pergunta para Bud (filho de Frankie e Sol) se ao invés de ser um caso entre os dois amigos, se fosse revelado que eles tinham um caso com outras mulheres por 20 anos a reação de todos seria a mesma ou se não restaria pedra sobre pedra. E vale a reflexão, não acham?!
É interessante ver como Robert e Sol se adaptam a essa nova realidade, ao olhar dos outros, e o preconceito que vem do próprio Robert às vezes.


Torci para Grace e Frankie deixarem de lado as desavenças e fiquei feliz pela felicidade de Robert e Sol - mas dói ver que a alegria deles foi em cima da dor dela, ainda mais por Frankie ser uma personagem tão cativante e apaixonada pela vida e sua família. Fiquei pasma com o último episódio e já entrei em abstinência até chegar a segunda temporada.

 O texto ficou enorme, as reflexões foram várias - nem sei se todas fazem o sentido que tinham quando eu pensei em escrever... Mas o que queria mesmo é indicar essa série incrível.

Fica a dica!





Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...